quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Chebika

Dois oásis fantásticos no meio do deserto e depois de atravessar as imponentes montanhas do Atlas de 4x4. E a Argélia é já ali ao lado.

Chebika é conhecida por ter A Gradne Cascata do Deserto porque este oásis tem, de facto, uma grande cascata, impressionante, com água muito fresca e vegetação. Foi entreposto romano e refugio do povo berber mas hoje não tem nada para oferecer além da sua beleza.

Não existem palavras para descrever a sensação e a beleza deste local no entanto e aconselho que não vão em excursão porque tudo se apressa. Em 2006 podia-se perfeitamente alugar um carro e andar por este magnifico país em segurança, se isso ainda for possível devido as mudanças politicas não pensem duas vezes.






Palmeiral

Que belo passeio de charrete pelo cerca de 1000 hectares com mais de 400 000 árvores, sobretudo tamareiras.






Passeio de Camelo

Passeio curto mas barato dá para saborear e imaginar o que será penetrar nas profundezas deste vasto deserto que é o Sahara. A areia fina impressionou e o passeio foi fantástico, calmo e suave, com uma temperatura amena para o deserto, não fosse estarmos no Inverno. 

O silêncio e Paz do momento são para aproveitar porque vão durar pouco.

Passado pouco tempo apareceram pessoas a cavalo, eram os beduínos ou habitantes das terras abertas. São um povo nómada e aparecem cada vez que existem estas "incursões" pelo deserto dos turistas para, a troco de dinheiro, tirarem fotos e convidar a andar de cavalo nas dunas

O passeio a camelo foi feito por tuaregues, um povo da etnia da região do Sahara e com língua própria. Tuaregues significa Abandonados de Deus.



Mesquita de Zitouna

Mesquita de Ez-Zitouna ("Mesquita da Oliveira") é o principal centro religioso da cidade. 
A medina foi construída no século VII e foi uma das cidades mais importantes do mundo entre os séculos XII e XVI.

Está fechada ao público em geral, pelo que os turistas não podem entrar (as pesquisas que fiz confirmam).




Museu do Passado

Um pequeno Museu escondido nas ruas de Sousse que relata o quotidiano do povo tunisino no passado  Pelo que entendi não tem muitas visitas e o Sr. ficou tão encantado em nos ver que tivemos direito a uma visita guiada.






segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Termas de Cartago

Foi um dos dias mais loucos e divertidos da viagem. Porquê? Porque quando lá chegámos e mal saímos da camioneta começou a chover tanto, mas tanto, que toda a gente fugiu para a camioneta mas eu, o meu irmão e a minha mãe fomos ver as ruínas - afinal estávamos ali para isso.

A brincadeira era que se aquilo tinha sido umas termas, nada melhor do que visitar o local com água porque ficávamos com uma visão mais esclarecedora. Quando chegámos há camioneta estava toda a gente furiosa porque não se podiam ir embora sem nós (que estávamos a cumprir o tempo de visita) e nós riamos, riamos, todos molhados e ainda gozámos com a situação.

As Termas de Cartago também são chamadas de Termas Antonino Pio que foi o quarto dos cinco bons imperadores (138 a 161). Cartago foi uma grande potência na Antiguidade e disputou com Roma o controle do Mar Mediterrâneo. Foi desta disputa que tiveram origem as Guerras Púnicas onde Cartago foi destruída após a vitória de Roma.




Sidi Bou Said

Tenho de lá voltar num dia menos cinzento. foi maravilhoso sentar-me numa esplanada a beber um chá com pinhões.

Sidi é encantadora e fotogénica, merece ser vista noutro tom.



Museu do Bardo

Não vão a este Museu numa excursão ou com pressa. Quando me apercebi que mal tinha entrado já ia sair desatei a filmar tudo como se o Mundo fosse acabar amanhã e nem 1/3 do Museu consegui ver.

Foi a visita que mais frustrada me deixou por ser tão curta, deixou-me literalmente em lágrimas á porta do Museu porque eu queria ficar ali.

A variedade de artefactos arqueológicos, jóias e mosaicos originais é estonteante, aliás este museu tem a colecção de mosaicos mais importante de todo o mundo e de diferentes épocas mas mais centrado no séc II ao IV.

A quantidade e qualidade de obras exposta é delirante e vão desde uma peça mais antiga com mais de 40.000 anos a estátuas originais romanas.



sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Povo Troglodita

Habitações trogloditas. São habitações escavadas nas escarpas dos montes, ficando praticamente camufladas. Acabam por ser utilizadas tanto como abrigo contra o frio e o calor intenso da região e também contra ataques inimigos.



Chott El Jerid

Lago Salgado que atravessa o país de leste à oeste, permanece a maior parte do tempo seco na sua superfície. No entanto, a um metro de profundidade, há água salgada que aflora à superfície em caso de chuva. Há muitos pontos de areia movediça e lendas de caravanas inteiras desaparecendo ao tentar atravessar esse lago.


Anfiteatro El Jem

É grande, maravilhoso e indescritível  Se fecharmos os olhos e anos concentrarmos, quando os abrirmos, todas as imagens dos filmes que vimos tornam-se realidade mas com outros rostos - rostos reais.

Este circo romano tem essa particularidade, está vivo. Descemos ás catacumbas e estão lá os leões, as pessoas.  Nas bancadas ouvimos os aplausos e no centro a arena sentimos o guerrear, a luta o sofrimento. 
Foi um dos raros locais, de todos, por onde passei em que senti e vivi momentos de outras épocas. Na altura foi assustador porque nunca tido ido a lado nenhum e este foi a minha primeira viagem fora de Portugal.

O circo está muito bem conservado e considerado o primeiro edifício com este tamanho no norte de África e o sexto em todo o Império Romano. Foi construído pelo imperador Gordiano do século III acolheu espectáculos sangrentos entre gladiadores e feras e, como não, entre feras e cristãos. Tem capacidade para trinta mil espectadores Debaixo de sua construção, encontram-se duas galerias em forma de cruz com abóbadas onde se albergavam as feras, combatentes e condenados. O Coliseu continua firme ao passo do tempo.

É imprescindível ir á Tunísia e ir conhecer o circo. Tive um ponto a meu favor que foi ir no Inverno mas num dia de bom tempo e pode desfrutar e respirar a atmosfera.



Casa de Sultão

Ás voltas na cidade de Sousse encontramos, sem querer, a casa de um antigo sultão. O dono ainda está vivo mas mudou-se para outro local com mais conforto e moderno. 

Para encontrar a casa basta andar, do lado de dentro das muralhas junto ás mesmas. não me lembro de muitos pormenores do que foi explicado mas soube bem ver como viviam e proteger do mau tempo.





Ribat

O Ribat (mosteiro-fortaleza). Da construção original da primeira muralha resta apenas a Torre de Khalef, com cerca de 30 metros de altura.

O Ribat foi construído ao lado da Grande Mesquita, que não se encontra no coração da cidade mas num local estratégico junto á costa porque foi construída com finalidade defensiva.  O ribat é uma espécie de fortaleza, na altura conduzida por monges guerreiros. Foi construído no início do século IX, substituindo uma antiga igreja cristã, destruída pelos vândalos e reedificada pelos bizantinos.

O Ribat ostenta uma arquitectura majestosa, mas austera, de acordo com a tradição medieval. Do alto da torre – a subida é íngreme, mas vale o esforço – obtém-se uma vista soberba sobre as construções desiguais e as dezenas de cúpulas em tons pastel dos quarteirões antigos de Sousse

Sousse atraiu por esse motivo fenícios, romanos, bizantinos e árabes, que aí deixaram um importante legado arquitectónico. Hoje é a terceira cidade da Tunísia, a seguir a Tunes e a Sfax, 






quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Peniche

Parei só para almoçar e não me arrependi.

Merece uma paragem com tempo para um conhecimento mais aprofundado das suas praias e do seu património, onde eu destaco o Forte de Peniche.



terça-feira, 30 de outubro de 2012

Reguengos de Monsaraz

Passei por lá a caminho de um sitio qualquer. Foi mesmo uma visita de "médico" portanto não posso nem aconselhar nem desaconselhar porque não conheci, só vi de passagem.

Historicamente pude apurar, com alguma dificuldade, no site da Câmara Municipal que a zona de Monsaraz tem uma grande concentração de monumentos megalíticos, mais tarde foi romanizada e sucessivamente ocupada por  visigodos, árabes, moçárabes e judeus, até ser definitivamente cristianizada no séc. XIII.

No séc VIII é dominada pelo Islão mas em 1167 foi conquistada por Geraldo Sem Pavor. Em 1173, com a derrota de D. Afonso Henriques em Badajoz, Monsaraz cai de novo para o domínio dos almóadas. 

Finalmente em 1232, auxiliado pelos templários, D. Sancho II reconquista-a definitivamente e doa-a á Ordem do Templo que a defende e repovoa. Em 1385 é invadida pelas tropas do rei castelhano D. João mas é resgatada por D. Nuno Álvares Pereira que a doa ao seu neto D. Fernando e Monsaraz passa a fazer parte da Casa de Bragança.






sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Templo do Buda de Jade

O templo do Buda de Jade é o templo mais importante de Xangai e foi construído em 1882.

No seu interior ainda se realizam imensas cerimónias religiosas, desde as mais comuns em honra dos mortos solicitadas pelas famílias até ás mais complexas de acordo com o calendário Budista.

A sua construção deveu-se á necessidade acomodar 2 estátuas Buda em Jade Branco que foram trazidas da Birmânia e que são a principal atracção do templo. Uma representa o Buda a entrar no Nirvana, a outra é um Buda sentado com mais de 2 metros e com inscrições de pedras preciosas

Tem a clássica disposição de um templo budista com os 4 guardiões á entrada e ao fundo do salão o Buda de Jade.O outro Buda está noutra sala.

Sofreu cerca de 3 restaurações ao longo dos tempos mas tem a particularidade de não ter sofrido qualquer dano durante os ataques dos Guardas Vermelhos na Revolução Cultural porque os monges colocaram a imagem de Mao  á entrada do templo.

Os sinos e as esculturas dos telhados templo servem para afugentar os maus espíritos  O interior tem um decoração simplesmente deslumbrante baseada em faixas de seda vermelhas e amarelas penduradas no tecto e com inscrições.

Aqui assisti ao primeiro ritual budista de um filho a homenagear o pai, já falecido. Por respeito ás indicações e contrariamente ao que muita gente estava a falar mantive-mo-nos calados e não fotografamos.






Jardim Yuyuan

É um dos jardins mais famosos da China, a norte da cidade e perto da antiga muralha.

Foi desenhado entre os anos 1559 e 1577, na dinastia Ming. Um oficial do governo, de nome Pan Yunduan decidiu construí-lo á imagem e semelhança dos jardins imperiais porque queria que os seus pais se mudassem para a capital mas eram velhos e precisavam de tranquilidade. O nome do jardim provem desse motivo já que YU significa saúde e tranquilidade.

Com a morte do oficial e a falência da família Yunduan, o jardim caiu no esquecimento até que em 1760 foi comprado por um grupo de empresários.

No inicio do séc XX as autoridades transformaram parte do jardim num bazar e em 1957 começou a recuperação que envolveu toda a zona em redor do jardim, também construída durante a dinastia Ming. O parque tem cerca de 2 hectares e elementos básicos da jardinagem chinesa combinando os lagos, com os pavilhões e vários tipos de vegetação.

Talvez já não transmita a tranquilidade tão desejada devido ao imenso número de turistas mas estar lá e olhar todo o espaço em redor deixa logo o nosso coração mais pacifico. Não sei, talvez o sentimento seja intemporal neste local.

Mas o bazar é uma loucura, fomos avisados para não comprar lá nada, pelo nosso guia (que ainda não tínhamos despachado) mas o aviso caiu em saco roto e toca de começar as compras. Foi uma loucura porque as coisas eram realmente baratas e algumas até de bastante boa qualidade - ficámos sem perceber a atitude do guia.

Foi aqui que finalmente consegui encontrar as máscaras da ópera chinesa que eu tanto procurava, ainda trouxe 6 agora tenho lá ir buscar as outras :)






Aqui pode-se mandar escrever o nosso nome em chinês, é muito giro mas eu não comprei porque achei caro e porque já sabia que o meu nome não tem tradução para chinês, eles escrevem-no de acordo com o som que ouvem e cada um pode ouvir de maneira diferente consoante a entoação etc e por consequência escreve-lo também.


A Cidade

É a maior cidade da China e uma das maiores áreas metropolitanas do mundo, com mais de 20 milhões de habitantes. De salientar que o governo de Xangai administra quase todos os interesses económicos da cidade sem interferência de Pequim.

Xangai que era originalmente uma vila económica baseada na pesca e no sector têxtil cresceu no século XIX por causa da localização favorável do seu porto e devido a um tratado que a transformou numa das cidades abertas ao comércio exterior em 1842.

Essa abertura transformou-a num centro de comércio entre o oriente e o ocidente e tornou-a num centro multinacional de finanças e negócios na década de 1930. Essa influência internacional diminuiu com a influência do Partido Comunista do continente em 1949. 

As reformas económicas introduzidas por Deng Xiaoping em 1990 resultaram num intenso desenvolvimento da cidade e em 2005 Xangai tornou-se o maior porto de carga do mundoÉ o maior centro comercial e financeiro na China e tem sido descrita como o grande exemplo da força da economia chinesaOs investimentos públicos em meio ambiente têm tido um grande crescimento na cidade,inclusive na consciencialização dos seus residentes.

Passear nesta cidade grande e imensa tem tanto de assustador como de fácil. As informações também estão em inglês o que torna tudo fácil mas os perigos de atravessar uma estrada, onde as passadeiras servem só para enfeitar tornam a coisa assustadora. O trânsito é imenso e há imensas pessoas, milhares de chineses mas também milhares de ocidentais, portanto se tiver dúvidas faça como nós - pare e pergunte.

Nas margens do rio podes comprar de tudo, os vendedores mal vêem turistas cercam-nos tentando a sua sorte mas esta situação acompanha-nos também no outro lado, na parte nova da cidade com os seus arranha céus.

Aqui vê-se o que até agora era impensável, somos abordados por crianças a pedir e são muitas, existem mulheres que no meio de uma qualquer rua abordam os nossos homens e chama-lhes maridos. Não, a cidade não é um antro de prostituição e pedintes mas existem muitos e com abordagens que nunca tínhamos visto e que não esperávamos encontrar principalmente num país com regras tão rígidas, mas Xangai é diferente.

Andar de metro é muito barato, quase dado. O bilhete que se tira nas máquinas é "engolido" á saída por uma máquina que nos abre a porta, esse bilhete será mais tarde utilizado por outro utilizador do metro depois de reintroduzido na máquina de compra por um funcionário. O metro é tão grande, tem tantas linhas e tem tanta gente que existe uma barreira, que nos separa da linha do metro e só abre após a chegada do mesmo que pára exactamente naquele local (não há espaço para erros). 

Os túneis que dão acesso ás várias linhas e estações são autênticos labirintos para um ocidental desprevenido porque vai andando encantado a ver as montras. Existem autênticos centros comercias labirinticos aqui em baixo, é um mundo subterrâneo dentro de outro mundo.

Aliás, é normal os centros comerciais terem vários andares para cima e outros tantos para baixo e os que vão a descer não são estacionamento, são lojas. Podesse escolher entre o centro comercial ocidentalizado com lojas das nossas marcas ou os de produtos chineses e/ou produtos contrafeitos. Um dos centros que visitámos era normal nos andares superiores mas era só de material electrónico nos andares inferiores, não tinha lojas mas tinha centenas de bancadas com milhares de chineses a comprar e vender. Quanto mais desciamos de pisos mais material contrafeito encontrávamos.

Andar num qualquer centro comercial pode ser uma aventura. Agarre-se bem ao seu companheiro ou aventura-se a perder-se naquele mar de gente. Tem tanta gente lá dentro como na rua.

Por esta altura já tínhamos deixado o guia para trás, dispensámos os seus serviços. Estávamos no fim da viagem e cansados de ter sempre alguém a nos mandar para a direita ou para a esquerda.

Fomos andar no Bund Sightseeing Tunnel e experimentar uma viagem completamente psicadélica, é como andar num pequeno comboio num tunel cheio de luzes de várias cores em movimento como podem ver aqui
O objectivo era chegar a outra margem para experimentarmos o Transrapid, um comboio que pode atingir a velocidade de 350km/h (nós atingimos os 300) em 2 minutos. O comboio vai desde a estação de Longyang Road e o Aeroporto e com um percurso somente de 30 km mal tínhamos começado e a viagem e ela já tinha acabado de forma "lenta", silenciosa e suave.

Só não gostámos muito de estar em Xian mas adoraríamos voltar para conhecer melhor Pequim e Xangai.




A Muralha

Xian foi capital da China nas dinastias: Chin (255 a 206 a.C.), Han (202 a.C. a 25 d.C.) e Tang (618 a 907). É conhecida pelo local onde existem o Exercito de Terracota e tem mais de 3000 anos de história.
Não tem o glamour de Pequim e mesmo tendo ficado bem instalados no Sheraton não saímos á noite porque nos assustamos com a ambiente envolvente. Fomos aliás alertados para a tendência local para o furto.
A Muralha rodeia a parte antiga da cidade, tem 14 quilómetros e uma altura de 12 metros,  grossura de 18 metros de baixo e 15 de cima tornando-a muito estável. Fora da muralha construiu-se um fosso cercando a cidade.
Foi construída na dinastia Ming entre 1370 e 1378 a partir da muralha da dinastia Sui e Tang do século 6. A sua maior parte é percorrida pelo passeio de pedra, a melhor ideia será dar a volta completa mas não o fizemos.
Do cimo da muralha com as torres de vigia , várias construções defensivas e as 4 portas que representam os 4 pontos cardeais tem-se uma magnifica vista da cidade. 



Pagode do Ganso Selvagem

Foi construído no ano 652 Durante a Dinastia Tang para guardar sutras (escrituras canónicas que são tratadas como registos dos ensinamentos orais de Buda Gautama) e figurinhas de Buda. Tem 64 metros de altura. 

Como estava fechado não foi possível confirmar a vista que dizem que tem sobre a cidade de Xian.



Num Bairro Milenar

Depois de muito insistir lá fomos andar de riquexó mas tirem daí as ilusões. Andar de riquexó já não significa ter um chinês com um chapéu cónico a puxar-nos, andar de riquexó é andar numa pequena carroça metálica puxada por um chinês de bicicleta. Estes deviam de fazer parte de alguma "empresa" ou do Estado porque estavam todos com um colete amarelo e vermelho. 

E assim lá fomos nós passear por um bairro antigo de Pequim  onde moram as pessoas de classe baixa e muito baixa. As casas milenares  não têm casa de banho pelo que foi construída uma casa de banho pública. Têm lojas próprias com preços mais acessíveis a esta classe e com outros produtos.  As casas são quase barracas mas de um tipo de argamassa em ruas limpas e labirinticas.



Este é o mercado dos pobres onde tudo é comprado ao peso. Os peixes e outros animais marítimos estão em aquários, são comprados vivos e mortos na altura. O pão, massas, etc é feita no local e vendido na quantidade pedida pelo freguês.
O Sr. que está na foto é um fiscal contrato pelo governo, existem alguns nestes mercados com o intuito de controlar se os vendedores não enganam os clientes, principalmente nas pesagens e controlam-lhes as balanças.


Esta é uma casa com mais de 2 mil anos e situada no bairro que visitámos. Fomos convidados a visita-la  (é claro que depois da-se uma gorjeta) pelo proprietário. Esta casa sempre pertenceu a esta família e está em vias de ser destruída. Descobrimos que o governo chinês prepara-se para destruir os bairros antigos, pelo menos de Pequim, porque o preço dos terrenos é muito elevado e estes bairros velhos não são lucrativos - foi um choque muito grande e reside a esperança de que as forças contrárias consigam mantê-los mas tudo indica para que não consigam.


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Mosteiro de Alcobaça

O Mosteiro de Alcobaça é a primeira obra completamente gótica em Portugal. A sua construção começou em 1178 pelos monges de Cister que em 1834 foram obrigados a abandonar o mosteiro, na sequência da expulsão de todas as ordens religiosas de Portugal.

Os religiosos de Cister deviam viver do seu trabalho, não acumular riquezas, e os mosteiros seriam edificados em lugares ermos, sem qualquer decoração. Bernardo de Claraval, que se recolhera em 1112  em Cister, donde saiu para fundar  outra abadia animou bastante esta reforma que restituiu à Regra de S. Bento com todo o rigor inicial. Enquanto D. Afonso Henriques se empenhava na Reconquista, chegaram ao território português os monges Cistercienses que fundaram o  Mosteiro de São João Baptista de Tarouca em 1140.
D. Afonso Henriques doou muitas terras na região de Alcobaça a S. Bernardo, em cumprimento da promessa feita, em 1147, quando da conquista de Santarém. A construção provisória do mosteiro em Alcobaça começa em 1152 e a carta de doação foi assinada por D. Afonso Henriques no ano seguinte. 
Os primeiros monges de Alcobaça, monges brancos, tiveram uma acção civilizadora notável: em 1269 abrem a primeira escola pública. Também desempenharam acções de assistência e beneficência através da boticária  a farmácia, e da esmola da portaria.
A Igreja é uma das maiores abadias cistercienses. A sua arquitectura é um reflexo da regra beneditina da procura da modéstia, da humildade, do isolamento do mundo e do serviço a Deus. Os cistercienses partilhavam estas ideias, ornamentando e construindo a estrutura das suas igrejas de forma simples e poupada. Apesar da sua enorme dimensão, o edifício apenas sobressai através dos seus elementos de estrutura necessárias que se dirigem ao céu. 
A concepção arquitectónica deste monumento, desprovida de decoração e sem imagens, como ordenava a Ordem de Cister, apresenta uma grandiosidade e beleza indiscutíveis. As naves central e laterais são inteiramente abobadadas, praticamente da mesma altura, dão a sensação de amplo espaço, a que o processo de iluminação, românico ainda, dá pouca luz e o torna maior. 
O monumento tem sido sempre encarado como uma excepção no quadro do modo gótico produzido em Portugal como uma peça única e experimental sem antecedentes nem descendentes
Dentro da igreja encontram-se os túmulos dos Reis D. Afonso II (1185-1223) e de D. Afonso III (1210-1279). Diante destes túmulos, numa sala lateral, posicionam-se oito outros túmulos: D. Beatriz, mulher de D. Afonso III, e três dos seus filhos. Um outro sarcófago pertence a D. Urraca, a primeira mulher de D. Afonso II. Não se conhece a história dos outros sarcófagos estando estes, vazios após terem sido novamente selados entre 1996 e 2000. 

Os túmulos de D. Pedro I (1320-1367), com o cognome O Terrível ou também O Justo, e o de D. Inês de Castro (1320-1355), ainda hoje atribuem um grande significado e esplendor à igreja. Os túmulos pertencem a uma das maiores esculturas tumulares da Idade Média. Quando subiu ao trono, D. Pedro I tinha dado ordem de construção destes túmulos para que lá fosse enterrado o seu grande amor, D. Inês, que tinha sido cruelmente assassinada pelo pai de D. Pedro I, D. Afonso IV (1291-1357). Este pretendia, também, ser ele próprio ali enterrado após a sua morte. As cenas, pouco elucidativas, representadas nos túmulos, ilustram cenas da História de Portugal, são de origem bíblica ou recorrem simplesmente a fábulas. 

D. Pedro I casou em 1336, em segundas núpcias, com D. Constança Manuel (1318-1345), uma princesa castelhana. Devido a várias guerras entre Portugal e Castela, D. Constança só chegou a Portugal em 1339. No seu séquito, ela trazia a camareira Inês de Castro, que provinha de uma antiga e poderosa família nobre galega. D. Pedro I apaixonou-se por ela. 

Em 1345, D. Constança morrera catorze dias após o parto do seu filho sobrevivente, D. Fernando I. D. Pedro I passou a viver publicamente com D. Inês, nascendo desta relação três filhos. O pai de D. Pedro I, D Afonso IV, não aceitou esta relação, combatendo-a e, em 1355, condenou D. Inês à morte por alta traição. 
Após subir ao trono, D. Pedro I vingou a morte da sua amada (afirmando ter-se casado com ela em segredo no ano de 1354) e decretou que se honrasse D. Inês como rainha de Portugal. Quando em 1361 os sarcófagos estavam prontos, D. Pedro I mandou colocá-los na parte sul do transepto da igreja de Alcobaça e trasladar os restos mortais de D. Inês de Coimbra para Alcobaça, sob o olhar da maior parte da nobreza e da população. No seu testamento, D. Pedro I determinou ser enterrado no outro sarcófago de forma a que, quando o casal ressuscitasse no dia do Juízo Final, se olhassem nos olhos (de acordo com as fontes, só existiria o pedido de ser lida diariamente uma missa junto aos seus túmulos).

No dia 1 de Agosto de 1569, o rei D. Sebastião I (1554-1578), cujo tio era o cardeal D. Henrique, abade de Alcobaça, mandou abrir os túmulos. De acordo com os relatos de dois monges presentes, enquanto os túmulos eram abertos, o rei recitava textos alusivos ao amor de D. Pedro e de D. Inês. 

Durante a Invasão Francesa do ano de 1810 os dois túmulos não só foram danificados de forma irreparável, como ainda foram profanados pelos soldados. O corpo embalsamado de D. Pedro foi retirado do caixão e envolvido num pano de cor púrpura, enquanto a cabeça de D. Inês, que ainda continha cabelo louro, foi atirado para a sala ao lado, para junto dos outros sarcófagos  Os monges reuniram posteriormente os elementos dos túmulos e voltaram a selá-los. 

A Sala do Capítulo servia às assembleias dos monges e era, depois da igreja, a sala mais importante do Mosteiro. O seu nome deve-se às leituras que eram feitas a partir dos capítulos das regras beneditinas. Por outro lado, essa sala era o lugar das votações e de outros actos semelhantes feitos pelos monges. 
Antigamente, o chão desta sala estava todo ele coberto por estas placas funerárias pois, de acordo com uma regra cisterciense do ano de 1180, os abades deviam ser enterrados na Sala do Capítulo. Assim, os monges eram obrigados a tomar as suas decisões em cima dos túmulos de abades falecidos. Este género de enterro era uma grande excepção dentro da ordem cisterciense pois, normalmente, os enterros estavam proibidos dentro dos mosteiros. 
No Parlatório os monges estavam autorizados a falar com um representante do abade. Por princípio, os monges estavam obrigados ao silêncio, com excepção da reza, e só se podiam transmitir informações muito necessárias. Por esse motivo, muitos utilizavam uma linguagem gestual.
De acordo com as regras cistercienses antigas, a carne e as matérias gordas estavam proibidas aos monges. Abria-se uma excepção no caso de doença, podendo os monges comer carne na enfermaria. No ano de 1666, o Papa Alexandre VII autorizou o consumo de carne três vezes por semana. Esta autorização desencadeou uma mudança radical nos costumes dos monges, estando a sua pequena cozinha, tecnicamente, impreparada. 
No Refeitório por cima da entrada encontra-se uma inscrição em latim: 
"respicte quia peccata populi comeditis"  (lembrem-se que estão a comer os pecados do povo).