quinta-feira, 16 de julho de 2015

Convento de Cristo

Onde me senti esmagada e chorei.

Ir ao Convento de Cristo era um sonho que tinha. Eu queria estar no local, sentir as paredes, os cheiros, os sonhos, as vidas dos Templários, as rezas e as glórias. Por 5€ por pessoa eu estava disposta a passar lá o dia inteiro e nem que me pedissem 20€ eu ia. 


Quando lá cheguei procurei, rebusquei desesperadamente em todos os cantos, a magia, o sonho e eu andava, espreitava por todos buracos (incluindo os das fechaduras) e nada vi da vida dos meus heróis. O convento está a ser recuperado, eu estava encantada por estar lá dentro mas uma profunda desilusão surgiu em mim porque são só paredes. 


Eu estou no local que levou Portugal ao Mundo e só vejo paredes, a magia que eu sinto não é a que queria porque estou desiludida, onde estão os restos das vidas das pessoas? Os seus objectos? Onde está recriada a história da vida dos mestres da nação? Para onde levaram a história do meu país? Em que caixas ou cantos estão guardados? 

Devem de estar perdidos ou espalhados, na melhor das hipóteses, nalgum museu moderno que alguém achou por bem enfiar dentro de uma jaula de vidro descontextualizada em vez de me mostrar no devido local de onde eram, para o que serviam e por quem eram utilizados… 

Mas eu não perco o encanto que tinha, aquelas paredes estão a falar comigo e não me deixam desmoralizar, ali sinto-me grata por estar viva, sinto-me bem, eu posso estar ali e ali chorei. 

Para mim foi o momento alto das minhas férias. Eu vi o que mais procurava - a Charola – o templo dos Templários, onde eles oravam (baseado no rotunda do Santo Sepulcro de Jerusalém mas adaptada pelo Infante, apesar das alterações). 

Eu já vi algumas coisitas nesta terra mas esta foi de cortar a respiração, não sei se foi pelo que eu estava a tentar imaginar, pelo que estava a tentar viajar no tempo ou pelo tanto que queria conhecer aquele especifico local mas quando dou por mim as lágrimas escorrem-me pela cara. Não sei se foi por me ver mas um funcionário do Convento perguntou-me se eu queria entrar… Desculpe, mas posso entrar? E ele responde que sim… ia ficando sem forças nas pernas. E ali andei eu a sentir e a admirar as peças e o espaço. Foi muito difícil ter de sair…

No Domingo á noite fomos assistir a um espectáculo que aconselho a todos. 

O espectáculo é feito no Convento e pelos Fatias de Cá, só aos Domingos, começa às 17h30m e acaba às 23h30 tem de se reservar com antecedência e os bilhetes custam 30€ por pessoa com jantar incluído. 

Os Fatias de Cá apresentam-nos o livro “O Nome da Rosa” por todo o recinto do Convento, incluindo áreas que não estão abertas ao público durante o dia. É uma oportunidade de ver o Convento á noite e de ver um espectáculo diferente onde muitas vezes além de espectadores (que andamos atrás dos personagens) somos também protagonistas ao nos juntarmos, várias vezes, na verdadeira sala de Refeições do Convento a comer e beber com o “frades” e com os representantes do Papa.









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